Lançamentos – Oganpazan https://homolog.oganpazan.com.br Oganpazan Wed, 20 Aug 2025 15:31:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 Os 10 Pilares de Abebe Bikila (BK) ou Pablo Marçal na Etiópia, arrivismo hard em “DRLE” https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/20/os-10-pilares-de-abebe-bikila-bk-ou-pablo-marcal-na-etiopia-arrivismo-hard-em-drle/ https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/20/os-10-pilares-de-abebe-bikila-bk-ou-pablo-marcal-na-etiopia-arrivismo-hard-em-drle/#respond Wed, 20 Aug 2025 15:31:02 +0000 https://oganpazan.com.br/?p=38925 Recentemente o MC carioca BK, um dos nomes mais destacados do Rap brasileiro lançou o filme “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer”, analisamos os 10 Pilares propostos!

BK

No penúltimo lançamento do BK, Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer (o filme), o arrivismo narcisista, há muito já presente no rap brasileiro, totalmente rendido aos preceitos neoliberais, alcançou talvez o seu ponto mais agudo. Já faz muitos anos que artistas como Filipe Ret entre outros, transformaram a capacidade crítica do Rap em mera performance narcisista, recheada de clichês de auto-ajuda, posando de filosofia existencial. 

Este texto é uma análise semiótica e de discurso, do que subjaz como texto subreptício presente no filme “D.R.L.E” que possui a direção do Vellas. Porém, não conseguimos localizar a autoria das falas e dos textos presentes no filme, o seu escabroso roteiro. No entanto, tomamos aqui o conjunto da obra como assumido por BK, uma representação visual do disco Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer (2025) e consequentemente como reflexo e complemento imagético e ideológico do mesmo.  

No filme que precedeu o lançamento de “DRLE”, último disco do MC carioca BK, Os 10 Pilares do Abebe Bikila – ele mesmo e não a figura histórica – o coach rap contemporâneo no Brasil, encontrou o seu messias mais radical. O filme gravado na Etiópia mescla mistificação histórica e um flerte muito forte com uma noção difusa de Darwinismo Social. O discurso do MC empreendedor de si mesmo, o self made man, agora se porta como líder de um bando nômade – sem nenhum fundamento histórico – convidando seus “colaboradores” a se portarem com o máximo de crueldade possível diante do Outro. 

A forma completamente deturpada que pretende contrapor o Nomadismo – como origem humana – ao Sedentarismo – forma de desenvolvimento das primeiras civilizações africanas –  é no começo do filme, a tese de base  na qual BK pretende assentar a sua visão estética.

“O homem é de origem nômade. O que fica parado atrofia. Perde a força. Vira o elo frágil de um bando que caminha pelo progresso. Um elo que atrasa e deve ser abandonado.”

Essa fala de um mais velho etiope, já nos primeiros segundos do filme, sugere uma confusão conceitual onde o nosso passado e o presente atual, longe de dialogar de forma crítica, é mistificado em nome de um ideal de progresso neoliberal. Confunde o “corre” contemporâneo, no estágio civilizacional extremamente crítico em que vivemos atualmente, com a vida nos períodos Pré-Neolíticos. 

BK

Já faz literalmente uns 10 mil anos, que deixamos de ser caçadores coletores, e passamos a dominar a agricultura e a criação de animais, assentando-nos em aldeias, cidades, etc. Apesar de ainda hoje existirem povos nômades, principalmente no continente africano, a busca por essa “origem” da humanidade, revela o caráter ético e político atual do trabalho do BK. Tanto no filme como no disco, aquilo que se pretendia movimento é na verdade um giro em falso dentro de uma ética de coach e de uma postura política neoliberal que beira o Darwinismo Social. 

A fera mítica utilizada no filme é bastante atual, a entidade que vive nas sombras e ri antes do ataque é no final das contas aquilo que BK pretende escamotear com os seus 10 Pilares, chama-se Capitalismo Tardio. Atualmente, na posição de corredor privilegiado, o artista carioca não possui nenhum escrúpulo em assumir a mesma posição do patrão inclemente, que não permite que uma mãe dê a luz aos seus filhos ou que quer que o seu “colaborador” use fraldas para não ir ao banheiro. 

Como passageiro na classe especial – mainstream –  da indústria cultural, ele observa impassível os que são deixados para trás, para morrer, pois o bando não espera. Sem nenhum distanciamento poético, a construção do roteiro são meras ilustrações em imagens movimento, das teses, que serão expostas ao final. Os ares de pseudo ancestralidade contida no mais velho que narra a lenda, se nos mostra em um esforço mínimo de interpretação como mera mistificação, que parece roteirizada pelo Pablo Marçal. 

Em entrevista recente ao programa Provocações, BK explica que viajou à Etiópia com o disco já pronto e que lá buscava por um lado, a exemplificação do Monstro – nome de uma das faixas do disco – e por outro a ligação do seu próprio nome. Ao chegar no único país do continente africano que nunca foi colonizado – junto a Libéria nação fundada em 1847 por ex-escravizados vindos dos EUA – o que BK nos apresenta é algo totalmente anti-africano: 

“Por isso, o bando não espera. Não faz distinção e nem concessão, amigos, família, amores. Todos ficam para trás.”

BKMetaforicamente, para serem devorados – “membro por membro, osso por osso” – social e no presente histórico para serem esquecidos, abandonados à própria sorte, marginalizados e por que não, mortos. Pois, o monstro atual assim procede e ele não é nem o BK e muito menos o Tempo, que nas religiões e nas cosmovisões de matriz africana possui uma forma cíclica e muito longe da linearidade ocidental proposta pelo artista. E que mesmo ao pensarmos na história da Etiópia, com forte ligação com o Judaísmo, com o cristianismo e com a religião muçulmana, manteve-se independente politicamente. 

Quanto mais BK busca se apropriar da ancestralidade etiope do seu nome, mais distante fica. Abebe Bikila, o maratonista que venceu duas vezes as Olimpíadas, na primeira delas descalço, um exemplo de resistência que está anos luz à frente do Abebe Bikila que parece propositalmente não reconhecer princípios básicos, hoje populares até no jargão das redes sociais como o: Ubuntu. A circularidade como forma e signo de grande parte – senão na totalidade – das bases ancestrais do pensamento africano em todas as dimensões, perde a corrida para um código de conduta que não encontra reflexo no território de onde é anunciado, a não ser como praga colonial inoculada e consequentemente reproduzida. 

O continente africano é um dos principais produtores de diamantes do mundo. Utilizando o diamante como signo de “progresso” e foco principal da “empresa”, BK o artista, esquece ou finge esquecer completamente do “custo” destes, aos países e aos povos africanos. E ao que parece daí deriva o resto, o BK que aparece ao final com uma tocha iluminando os rostos de um “bando” que ouve o patrão recitar os códigos de conduta, os 10 Pilares do neoliberalismo como política e do Pablo Marçal como modelo ético. 

A cultura Hip-Hop que outrora serviu de escola para jovens negros aprenderem sobre a história do continente, sobre as figuras de luta e resistência em África, se converte na imagem proposta em “D.L.R.E.” na mais absoluta mistificação neoliberal. Por vezes, nos lembra aqueles que falam sobre as formas de escravidão em África, antes do colonialismo. E sobretudo, na fixidez das estruturas prontas, o pensamento de BK presente no filme, não viaja, ele está completamente “mumificado pelas substâncias mais banais e comuns”, bandanas lhe atam firmemente e aprisionam o seu pensamento poético, levando basicamente a se tornar um ventríloquo das ideologias hegemônicas do Ocidente.

BK

Ele vai para a Etiópia, mas não há sinais de pensamento político africano, ou mesmo etiope, zero combatividade, nenhuma resistência. Na terra dos reis Menelik II e do honorável Haile Selassie, se comporta como um garoto de recados do Capitalismo tardio, reproduzindo a ética daí derivada. Não apenas preservando as estruturas de opressão, como reforçando e buscando expandi-las em seus aspectos mais permissivos e porque não crueis. 

Sendo assim, o viés sereno e duro com que BK aparece diante da câmera nas cenas do filme, longe de se portar de forma crítica, ou mesmo como um mero observador do status quo – filmado e poetizado – se coloca como administrador e porque não ideólogo de toda a alienação, brutalidade e mistificação que o filme presentifica. Em momento algum, há uma critica à quaisquer dos pontos apresentados e abordados acima. As imagens de época do maratonista Abebe Bikila – única fonte histórica real presente no filme – que tenta ser apropriada como signo da luta por acompanhar o “Tempo”, identificado como monstro, soam pueris. 

O filme se converte dessa forma em manifesto que não está ancorado em nenhuma visão crítica da realidade, um mero panfleto digno do movimento dos Legendários. Uma dureza masculina e negra que não condiz com o atual nível de debate sobre estes temas, uma visão política completamente despolitizante, entendendo política aqui, como a busca do bem comum, aliás não há “comum” na visão do bando que BK cria. Se entendermos o comum como reconhecimento e partilha com o Outro, o que há é o entendimento das relações éticas provenientes meramente de um “utilitarismo hardcore”, o que não mais “serve” é descartado e vale ressaltar, qualquer um – pai, mãe, filho, amores, amigos…

Desta sorte, nos surpreende um pouco a recepção calorosa por parte da crítica e do público, sem nenhum traço de reflexão. No entanto, entendemos que neste filme, BK e sua produção avançaram a um ponto que até então não tínhamos chegado no rap feito no Brasil. As oposições infantis e irrefletidamente reproduzidas sobre vencedores e perdedores, agora possuem um código de conduta que serve de diretriz base para os MC’s/Empresas. 

Os 10 pilares do Abebe Bikila é a primeira sistematização racional – não dá pra chamar de poética ou artística – de todas as frases de auto ajuda e as rimas motivacionais como: “Você é o único representante do seu sonho na terra”, encontra aqui seu estágio final e mais bem elaborado. BK se encarrega de ser o próprio Moisés, porém do Neoliberalismo mais tosco e cruel. A Ego Trip com recurso poético se torna práxis, saindo do campo da fabulação literária para o campo do pressuposto das leis éticas para o estabelecimento da relação entre as pessoas. O fracasso é covardia, a doença é preguiça, e o BK no filme “D.R.L.E” estabelece a norma – das mais crueis –  para os operadores, os gerenciadores da máquina de moer gente, nesta metade de segunda década do Século XXI. 

-Os 10 Pilares de Abebe Bikila (BK) ou Pablo Marçal na Etiópia, arrivismo em “DRLE” 

Por Danilo Cruz 

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Uma epopeia do trabalhador brasileiro é a “Práxis” por Mascote & Digmanybeats https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/08/uma-epopeia-do-trabalhador-brasileiro-e-a-praxis-por-mascote-digmanybeats/ https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/08/uma-epopeia-do-trabalhador-brasileiro-e-a-praxis-por-mascote-digmanybeats/#respond Fri, 08 Aug 2025 14:40:46 +0000 https://oganpazan.com.br/?p=38833 Ao longo de 10 músicas, Mascote rima com feats do Mattenie e do PaZSado, com produção do Digmanybeats, sobre o dia comum do trabalhador!
Mascote
1.90.5-BFWAX5DBMUQFS2J7HYBPZD6MME.0.1-0

A volta (?) à ativa de um MC do quilate do Mascote é/deveria ser algo muito comemorado, desde de 2023, o artista lançou alguns excelentes trabalhos, como o disco “Ligue os Pontos (prod. Digmanybeats)” em parceria com Dej@ Vu e o DJ Will Cutz, em 2024 o disco em parceria com PaZSado: “Flores em Vida (prod. Digmanybeats)”. No ano passado, o disco quase perdido “Jornada Dupla” com Dr. Drumah e esse ano, outro disco gravado há vários anos e também quase perdido, “Meus Amigos Vol.2”.

O Mascote fez história com o clássico grupo “ContraFluxo” e o pouco conhecido “Primeira Audição”, um dos poucos grupos a produzir um rap jazz brasileiro com imensa qualidade em nossa história. Nesse processo de volta à ativa, nos lançamentos, Mascote tem contado sempre com as produções do Digmanybeats e com ele que ele compôs o seu último disco “Práxis”. Apesar de curtinho, os seus 19 min e 43s condensa uma epopeia que é a de milhões e milhões de brasileiros. 

Não é um disco para se ouvir buscando diversão, muito menos motivação – Raps Motivacionais deveriam ser proibidos – muito pelo contrário. O retrato em ritmo de curta metragem, um imenso storytelling de 18 horas de um trabalhador brasileiro, no caso o próprio Mascote. Que ao traçar os passos de um dia comum em sua vida, termina por uma questão de classe, falando de todos nós que trabalhamos no dia a dia, de sol a sol, que pegamos o busão ou o metrô lotado. 

Recentemente li em uma rede social que o artista só é profissional se ele é remunerado pelo seu trabalho, caso contrário é um amador. Sob certo ponto de vista – capitalista – isso é até verdade. Porém, nos indica o quanto a subjetividade de muitos está completamente submetida aos modos de produção capitalista. Perceber a arte e o artista sob esse viés – que é o da imensa maioria das pessoas em nosso país – é extremamente redutor, empobrecedor mesmo. Sobretudo, se tivermos um olhar crítico tanto para a história, quanto para o que hoje habita o mainstream da música brasileira. 

Com certeza, e não quero aqui fazer nenhum tipo de elogio da precariedade, artistas do mainstream não são capazes de produzir um disco de rap inteiro narrando a vida do trabalhador comum. Muito pelo contrário, o mainstream hoje é uma eterna cantilena em loop sobre ser vencedor. Fornecedores de esperanças vãs, que termina por reificar o sistema capitalista da forma mais vil. São em quase sua totalidade MCoachs! 

Outra é a proposta do Mascote que recorta um cotidiano comum de nós trabalhadores que somos capazes de olhar para a realidade de forma crítica. O disco começa com o Mascote acordando e cuidando da sua cria “5h45(intro)”, colocando na escola e seguindo pro trampo. Já em “Práxis” a narrativa começa a rasgar o tom de normalidade cotidiana e ou mesmo nos apresenta as suas “práticas comuns”. que é também além da de milhões de trabalhadores, a de milhares de artistas amadores. Ouvir algo para alimentar o espírito criativo (beats), se informar em trânsito (ouvindo clássicos e podcasts).

A rotina estressante dos trabalhadores em meio ao capitalismo tardio em um sistema neoliberal meramente administrado, já é mencionado “de passagem” sobre o burnout sofrido por uma colega de trabalho. Mascote aborda também, cansaço provocado no trabalhador pelo péssimo sistema de transporte nas nossas capitais, que é algo sofrido pela esmagadora maioria da população que paga caro por um sistema completamente sucateado. 

Mascote Os “Desalinhos” entre trabalhadores e patrões são traçados nos mostrando, levantando o véu das atuais práticas do sistema que prevê a uberização cada vez maior da classe trabalhadora, assim como a já longeva jornada 6×1, um dos temas da participação do PaZSado na faixa. A ausência de perspectivas e o auto engano de que as coisas vão melhorar são ideias demolidas pelo Mascote em “Murmúrios”, ao mesmo tempo que reflete sobre a possibilidade de entrar para vida do crime. Uma reflexão muito pertinente sobre como permanecemos acuados entre a exploração e a certeza de prisão ou morte. 

Após o intervalo “12h30(intervalo)”, é a vez de uma análise mais pormenorizada sobre o Capital e o seu funcionamento, “Mão Invisível” traz o Mattenie no feat, que segue a mesma toada, mas acrescenta algo presente em uma das 11 Teses sobre Feuerbach, a saber: 

“Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo.”

A volta pra casa, “18h30(interlúdio)”, enfim “Lar Doce Lar (partes I&II)” porém outro momento de tortura para trabalhadores que se amontoam em transportes. Única faixa presente no disco que possui batidas, mas que logo volta ao drumless, nos mostra a coesão estética da sonoridade construída por todo o trabalho fruto do Digmanybeats. Enfim, o “Sono dos Justos”, entre observações em forma de crônica, Mascote narra essa volta pra casa como de fato ela é para muitos: a certeza de uma batalha inglória, porém vencida. 

A alegria do filho recebendo o pai, uma imagem que só ressalta toda a melancolia que o cotidiano poetizado nos apresenta. A sensação de alívio e segurança de estar em casa, ainda encontrar tempo para brincar com a sua criança, lhe colocar na cama. Deitar para dormir mas a mente a milhão, pensar nas contradições da vida, se programar para o final de semana etc… 

MascoteO produtor Digmanybeats cria uma atmosfera sonora praticamente toda ancorada no drumless, mas longe de um trabalho genérico, o artista proporciona as tonalidades para cada momento do dia. Criando assim, o complemento musical que tensiona o ouvinte a prestar atenção no trabalho poético do Mascote, mas os loops nos injetam sub-repticiamente as sensações adequadas ao tema. 

O disco se fecha às “23h45(outro)”, em um áudio onde o Digmanybeats convida o Mascote para um novo disco. E tudo recomeçará de novo no dia seguinte, o Mascote voltará ao trabalho, o Digmanybeats vai lhe mandar beats e outro disco vai sair. Essa é a rotina dos trabalhadores em geral e dos artistas/trabalhadores em particular. 

Como disse acima, a audição de “Práxis” não diverte e obviamente não se pretende a isso. Ao poetizar a vida do trabalhador brasileiro que é a sua também, mas do que trabalhar com palavras de ordem “revolucionárias”, Mascote nos induz a pensar no absurdo em que vivemos, na exploração brutal que sofremos, no tratamento escroto que sofremos dos poderes. Esteticamente é um trabalho muito bem acabado pois nos carrega em sua duração dentro de uma perspectiva musical monótona, tensa, dura, algo que é conseguido pelo flow empregado pelo Mascote e pelos feats, assim como reiteramos, pela produção musical.   

Escute:

-Uma epopeia do trabalhador brasileiro é a “Práxis” por Mascote & Digmanybeats

Por Danilo Cruz 

 

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