Notícias – Oganpazan https://homolog.oganpazan.com.br Oganpazan Fri, 22 Aug 2025 15:33:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 Oddish do velho testamento voltou, plantando a Dissgraça contra Baco Exu do Blues! https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/22/oddish/ https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/22/oddish/#respond Fri, 22 Aug 2025 15:33:03 +0000 https://oganpazan.com.br/?p=38950 Oddish, MC conterrâneo de Baco Exu do Blues, retirou alguns esqueletos do armário e soltou uma diss pesada!
Oddish
Oddish

Oddish é um dos grandes nomes da história do Rap Baiano, o Mc possui uma caminhada oriunda das batalhas, onde durante anos foi um nome simplesmente imbatível. Em 2014, ele lançou seu primeiro disco solo: “Ponteiros Voam Como Jatos”, um disco sujo e cáustico, que deu o start para sua obra fonográfica de modo irremediavelmente baiano, trazendo samples do Igor Kanario e cuspindo barras. 

Integrando o bando “Fraternidade Maus Elementos”, Oddish foi uma das peças psicóticas utilizadas no clássico recente: “Eles Não Vão Perdoar” de 2015, e daí o MC seguiu trampando com seus parceiros de grupo e soltando diversos singles nos anos 2017-2018. Oddish retornou ao cenário em 2021, com o consistente disco Onironauta. O disco que chegou na pista com a produção do Degraus Beats, trouxe participações do Teagacê e do Dactes. 

Ao longo de sua obra, Oddish trabalha meio numa perspectiva o Médico & o Monstro. O Monstro é o que chamo de Oddish do velho testamento, cuspindo sujeira de modo muito único e com uma identidade muito baiana. O Médico é o Felipe Castro, lidando com os seus demônios internos, expondo-os em lírica numa pegada mais alternativa. Exemplo disso, é o seu EP lançado no ano passado: Âmago. 

Hoje ao meio dia, o Monstro ressuscitou e veio inclusive com as características iniciais, reeditando a sua inspiração em outro Parmalat: Igor Kannário. A faixa “Breja na Sacada” é um diss pesada ao rapper seu conterrâneo e desafeto: Baco Exu do Blues. Oddish tirou uns esqueletos do armário, algumas coisas que são comentadas na cena baiana, e produziu uma diss que dá gosto de ouvir pela já conhecida qualidade lírica do MC.

 

As linhas de soco que Oddish disparou atacam elementos diversos da construção artística do Baco Exu do Blues e a sua virada pop, como o seu novo Rebranding, mas vão além e expõem questões “supostamente” vivenciadas juntos, por isso o título “Breja na Sacada”. Além de usar os títulos de algumas das faixas do Baco como parte da construção da diss.   

Será que haverá resposta? Até hoje, Baco nunca respondeu as diversas linhas que recebeu e nem as diss abertas de ataque, então é aguardar!

-Plantando a disgraça? Oddish do velho testamento voltou com uma diss para Baco!

PorDanilo Cruz 

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Cidade dos Normais e a poesia distópica da Escambau https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/15/cidade-dos-normais-e-a-poesia-distopica-da-escambau/ https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/15/cidade-dos-normais-e-a-poesia-distopica-da-escambau/#respond Fri, 15 Aug 2025 15:22:48 +0000 https://oganpazan.com.br/?p=38901 No clipe Cidade dos Normais, a banda paranaense Escambau celebra 15 anos de carreira com uma crônica urbana irônica e distópica, gravada ao vivo no Teatro Paiol, em Curitiba.

A celebração de uma resistência

Vou começar a resenha propondo que você tente imaginar seria viver numa cidade onde tudo parece perfeito, mas nada é real? Será mesmo, que esse exercício de imaginação nos coloca diante de uma realidade ainda por vir? Ou será que já estamos inseridos nessa realidade social?

É nesse cenário que a banda paranaense Escambau ambienta Cidade dos Normais, canção transformada em um clipe visualmente arrebatador, gravado ao vivo no histórico Teatro Paiol. E que fará parte do novo álbum da banda que celebra o tempo de existência da banda. 

Completando 15 anos de estrada e uma trajetória marcada pela resistência da música independente, o grupo entrega uma crônica urbana afiada, que mistura poesia, ironia e a tensão silenciosa das grandes distopias.

O clipe que revela o show

O álbum recebe o nome “Escambau – Acústico 15 anos no Teatro Paiol”. Acho que a partir daqui, tendo o título revelado, inferir se tratar de um álbum ao vivo, no formato acústico, o local do show e gravação do álbum é o Teatro Paiol em Curitiba.

Seu lançamento acontece hoje, 15 de agosto, a partir das 19 horas no SESC Paco da Liberdade, em Curitiba. Será feita uma audição pública do álbum, que estará disponível em todas as plataformas de streaming a partir do dia 18 de agosto.

A banda lançou uma das faixas, “Cidade dos Normais”, no formato single no final de abril deste ano. Recentemente lançaram o clipe da faixa e ali se revelou a beleza visual da gravação em vídeo do show. 

“Cidade dos Normais”, portanto, pode ser visto no formato de clipe, no YouTube, e já nos mostra a qualidade da produção do show.

Distopia em forma de canção

“Cidade dos Normais” elabora uma crítica sutil e irônica a uma sociedade caracterizada pelo conformismo, pela superficialidade e pelo controle simbólico — algo próprio das distopias presentes em obras literárias como 1984, de George Orwell; Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley; ou na trilogia distópica de Ignácio de Loyola Brandão: Zero, Não verás país nenhum e Desta terra nada vai sobrar.

A letra descreve uma cidade que, a partir de um ponto de vista distraído, parece tranquila e sob a “proteção” de uma força maior. Contudo, trata-se apenas de uma impressão fabricada. O que existe, de fato, é o exercício de controle social sobre os habitantes dessa localidade.

Nesse sentido, “Cidade dos Normais” nos surge como uma alegoria da realidade social, existente por trás de um verniz de aparência que sugere organização e normalidade.

Essa alegoria remete ao filme Eles Vivem, do diretor norte-americano John Carpenter. No longa, um óculos especial, quando usado, revela a realidade por trás da camada aparente utilizada para camuflar uma estrutura opressora de profundo controle sobre as decisões e ações dos indivíduos.

A normalidade descrita na música não passa de um estado de anestesia coletiva, tal qual o causado pelo consumo da droga “soma” na sociedade apresentada por Huxley em Admirável Mundo Novo. Dessa forma, os governantes podem induzir ações e decisões dos “cidadãos” dessa sociedade controlada.

Podemos identificar uma ironia no fato de que a cidade é aparentemente segura, até previsível, mas é justamente essa previsibilidade que a transforma em uma imagem distópica de sociedade.

Na linhagem da MPB crítica

Outra forma de compreender a crítica presente na música é pelo seu formato de crônica urbana, que se encaixa na tradição da MPB mais crítica — aquela que recorre a harmonias ambíguas, aliadas a melodias sedutoras e letras irônicas, para abordar uma realidade política e social marcada pelo signo da passividade.

Nessa tradição, podemos incluir compositores do quilate de Chico Buarque, Caetano Veloso, Itamar Assumpção e Belchior. Duas imagens presentes na letra da música representam bem seu caráter metafórico e satírico: “olho de vidro” e “prefeito quadrado”.

Essas expressões reforçam o tom de metáfora e sátira, lembrando algumas fábulas urbanas da canção brasileira dos anos 1970, período em que a crítica social precisava se disfarçar de ironia para escapar dos aparelhos de repressão e censura.

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Bagum: entre o soul, a psicodelia e a dança https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/08/bagum-entre-o-soul-a-psicodelia-e-a-danca/ https://homolog.oganpazan.com.br/2025/08/08/bagum-entre-o-soul-a-psicodelia-e-a-danca/#respond Fri, 08 Aug 2025 14:39:56 +0000 https://oganpazan.com.br/?p=38836 A banda baiana Bagum lançou dois singles, unindo psicodelia, groove e parcerias marcantes, dando o tom do que vem por aí com o lançamento de seu primeiro álbum
Bagum
Capa do single “A Lua que Foi Meu Lençol”.

Agosto começou há menos de uma semana. Mês alvo de piadas relacionadas à sensação de sua demora em se findar, traz consigo o lançamento do álbum Coração; Batalha; Celebração, da banda Bagum.

Este será o primeiro álbum da banda baiana. A notícia do lançamento gera expectativa entre as pessoas (eu entre elas) que acompanham a trajetória do grupo. Isso porque os caras vêm lançando material desde 2018, entre singles e EPs.

Portanto, não se trata de uma experiência nova. Considerando o histórico da banda e a qualidade dos materiais lançados anteriormente, espera-se um álbum que não apenas traga novidades, mas também apresente modos novos de se expressar através das faixas.

E por falar em histórico de lançamentos, cabe lembrar que dois singles — músicas que farão parte do setlist do álbum — já foram lançados, dando uma noção do que teremos no material completo.

Bagum
Arte de Capa do single “Sol e Ares”.

A Bagum produz uma sonoridade bastante atmosférica, com altas doses de psicodelia, que permitem ao ouvinte atento se enroscar em seus sons. Outra característica marcante da banda reside no hábito de convidar artistas de gêneros musicais distintos para participar de seus projetos.

Entre as colaborações mais interessantes está a participação do rapper soteropolitano Vandal, tanto em shows com a banda quanto na parceria no single BIKINIH E CEROLH, lançado em 2022. E tem mais: a cantora Lívia Nery também contribuiu em faixas de EPs e singles do grupo.

O primeiro single lançado em 2025, A Lua Que Foi Meu Lençol, traz a voz marcante da cantora baiana Liz Kaweria. A música apresenta um arranjo primoroso, que imprime sensualidade ao som, gerando uma brisa envolvente e se apresentando como um soul cheio de balanço.

A entrada da voz de Liz conduz a música para um viés mais intimista, dando mais movimento à melodia, complementada pelo groove das linhas de baixo e da levada da bateria. O teclado, usado para complementar o arranjo, oferece elementos cuidadosos, “pincelados” com efeitos que funcionam como detalhes, dando mais consistência à composição.

Logo depois, a banda lançou o single Sol e Ares. Essa música chamou bastante minha atenção pela levada dançante, numa pegada de dance music, na melhor aura das pistas de dança das discotecas.

O guia dessa faixa é o órgão, que conduz a música por solos oníricos e bases expansivas. A guitarra funciona como uma espécie de interlocutor, preenchendo com respostas pontuais — ora com staccatos, ora com frases que se harmonizam com a melodia principal feita pelo órgão.

Ambos os singles apontam para caminhos que parecem conduzir para um álbum pautado pela black music das décadas de 60 e 70. Resta-nos aguardar o lançamento de Coração; Batalha; Celebração e verificar se as especulações aqui levantadas irão se confirmar ou não. 

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